Tuesday, May 20, 2003

MUDEI DE ENDEREÇO!!!!!!

Me encontrem lá, gente:

http://www.hairyeyeball.net/mina

Sunday, May 18, 2003

Friday, May 16, 2003

UMA MORDIDA ESCURA COMENDO A LUA

Uma musa bacante, bêbada e cafona me visita nas madrugadas, depois das baladas. Ontem a bruta esteve por aqui. O que me levou a cometer "poesia" pornográfica, devidamente enviada pro meu namorado, lá nos States... Sorry, baby, depois você toma sal de frutas....
A balada foi com o Crusco, o Serginho Crusco, editor da Atrevida. Tomamos umas e outras no Filial, discutimos de tudo um pouco e enfiamos o pé na jaca.
Ah... o eclipse, vimos o eclipse! Uma mordida escura comendo a lua!

Wednesday, May 14, 2003

NEOPOBRE CHIQUE

Vejam só, fui enquadrada em uma categoria. Agora, quem sabe, passe a ter alguma visibilidade econômica e social nessa vidinha. Que chique!

O conceito dos "neopobres" foi apresentado pelo economista Márcio Pochmann, secretário do Trabalho da Prefeitura de São Paulo. O estudo foi lançado em março e contém indicadores sociais de todos os municípios brasileiros. Os "neopobres" têm perfil diferente: são desempregados, muitos dos quais com nível universitário, e os jovens que concluíram o ensino médio (antigo 2º grau) e até mesmo a universidade, mas não conseguem entrar no mercado de trabalho.
Apesar do alto nível de escolaridade, se comparados a maioria dos brasileiros, os "neopobres" são filhos de famílias que perderam renda ao longo dos últimos 20 anos, não têm herança e dependem de ocupação para se manter. Os "neopobres" são um fenômeno típico das capitais mais ricas do país.
Na capital paulista há 45 mil desempregados com nível superior ante 23 mil desempregados analfabetos. E, de cada dez pobres da cidade de São Paulo, seis fazem parte da categoria dos "velhos excluídos" e quatro já são "neopobres".
RITA LEE: "NEM TODA FEITICICEIRA É CORCUNDA, NEM TODA BRASILEIRA É BUNDA..."

Recebi e-mail com um texto da Rita Lee falando da "coisificação" social pra cima da mulherada.

Se no passado as famílias obrigavam as fêmeas a conservar o hímem para que fossem vendidas "intactas" para o marido, hoje a sociedade inventa artifícios como lipoaspiração, subtração de costelas, privação de comida e outras torturas para que o corpo feminino atraia o olhar do macho.
Beleza! Faltava um mulherão como a Rita pra falar sobre isso!

Agora... só uma coisinha: ruim vê-la condescendente com as sandices da Fernanda Young no programa de TV Saia Justa (sábados, na GNT). Enquanto a outra matraqueia barbaridades e "nazistices", a Rita fica quietinha, com aquele ar de mãe compreensiva. A Fernanda Young não merece sequer participar do programa - muito menos ter a compreensão da minha musa psicodélica!

Bem, lá vai o texto da Rita - é bem legal e vale a pena ler!


"Eu tinha 13 anos, em Fortaleza, quando ouvi gritos de pavor. Vinha da vizinhança, da casa de Bete, mocinha linda, que usava tranças. Levei apenas uma hora para saber o motivo. Bete fora acusada de não ser mais virgem e os dois irmãos a subjugavam em cima de sua estreita cama de solteira, para que o médico da família lhe enfiasse a mão enluvada entre as pernas e decretasse se tinha ou não o selo da honra. Como o lacre continuava lá, os pais respiraram, mas a Bete nunca mais foi à janela, nunca mais dançou nos bailes e acabou fugindo para o Piauí, ninguém sabe como, nem com quem.
Eu tinha apenas 14 anos, quando Maria Lúcia tentou escapar, saltando o muro alto do quintal da sua casa para se encontrar com o namorado. Agarrada pelos cabelos e dominada, não conseguiu passar no exame ginecológico. O laudo médico registrou "vestígios himenais dilacerados", e os pais internaram a pecadora no reformatório Bom Pastor, para se esquecer do mundo. Realmente esqueceu, morrendo tuberculosa.
Estes episódios marcaram para sempre a minha consciência e me fizeram perguntar que poder é esse que a família e os homens têm sobre o corpo das mulheres. Ontem, para mutilar, amordaçar, silenciar. Hoje, para manipular, moldar, escravizar aos estereótipos. Todos vimos, na televisão, modelos torturados por seguidas cirurgias plásticas. Transformaram seus seios em alegorias para entrar na moda da peitaria robusta das norte-americanas. Entupiram as nádegas de silicone para se tornarem rebolativas e sensuais, garantindo bom sucesso nas passarelas do samba. Substituíram os narizes, desviaram costas, mudaram o traçado do dorso para se adaptarem à moda do momento e ficarem irresistíveis diante dos homens. E, com isso, Barbies de fancaria, provocaram em muitas outras mulheres - as baixinhas, as gordas, as de óculos - um sentimento de perda de auto-estima. Isso exatamente no momento em que a maioria de estudantes universitários (56%) é composta de moças. Em que mulheres se afirmam na magistratura, na pesquisa científica, na política, no jornalismo. E no momento em que as pioneiras do feminismo passam a defender a teoria de que é preciso feminilizar o mundo e torná-lo mais distante da barbárie mercantilista e mais próximo do humanismo.
Por mim, acho que só as mulheres podem desarmar a sociedade. Até porque elas são desarmadas pela própria natureza. Nascem sem pênis, sem o poder fálico da penetração e do estupro, tão bem representado por pistolas, revólveres, flechas, espadas e punhais. Ninguém diz, de uma mulher, que ela é de espadas. Ninguém lhe dá, na primeira infância, um fuzil de plástico
como fazem com os meninos, para fortalecer sua virilida de e violência.
As mulheres detestam o sangue, até mesmo porque têm que derramá-lo na menstruação ou no parto. Odeiam as guerras, os exércitos regulares ou as gangues urbanas, porque lhes tiram os filhos de sua convivência e os colocam na marginalidade, na insegurança e na violência.
É preciso voltar os olhos para a população feminina como a grande articuladora da paz. E para começar, queremos pregar o respeito ao corpo da mulher. Respeito às suas pernas que têm varizes porque carregam latas d'água e trouxas de roupa. Respeito aos seus seios que perderam a firmeza porque amamentaram seus filhos ao longo dos anos. Respeito ao seu dorso que engrossou, porque elas carregam o país nas costas.
São as mulheres que imporão um adeus às armas, quando forem ouvidas e valorizadas e puderem fazer prevalecer a ternura de suas mentes e doçura de seus corações.
Nem toda feiticeira é corcunda, nem toda brasileira é bunda. E meu peito
não é de silicone; sou mais macho que muito homem".

Rita Lee

Tuesday, May 13, 2003

ESCOVÃO

Melhor jeito de fazer faxina: ouvir uma seleção musical que inclui Sisters of Mercy (Walk Away), Blondie (Heart of Glass), Abba (Dancing Queen), Ramones (I Wanna be Sedated), Jerry Lee Lewis (Great Balls of Fire), Trashman (Surfing Bird), Joan Jet (Cherry Bomb), Cramps (Can Your Pussy Do the Dog), Sex Pistols ( I'm Not Your Stepping Stone), B52 (Rock Lobster).

Monday, May 12, 2003

DONA LOURDES ENCARNA FORD BIGODE

Hoje encontrei minha avó Lourdes, aquela mesma que vive em uma casa de repouso para idosos e está completamente esquecida, matusquelinha mesmo.
Às vezes, acho que a vó apenas faz que esquece o que não lhe interessa. E, aos 88, não tem mais saco para aguentar as pequenas aporrinhações diárias. Coisas que, aos 40, você até encara como "tempero", da vida.
Por exemplo: ela nunca teve muita afinidade com meus irmãos. Não é coisa de antipatia, não, simplesmente nunca foi muito ligada aos garotos. Então, hoje, ao encontrar um deles, disse, muito compenetrada: "Muito prazer, Lourdes".
Sempre fui a queridinha da vovó. E me compraz vê-la dizer "Neuza Maria, eu sabia que você vinha...", quando nos encontramos, de nunca em nunca.
Mas hoje ela foi imbatível! Estávamos todos no QG dos Paranhos, na Cardoso de Almeida, por conta do Dia das Mães. Na hora de ir embora, fui ajudar meu tio a embarcar as velhas senhoras (ele ia dar carona pra minha outra avó também).
Quando passamos na porta do prédio, tinha uma muvuca de pessoas interrompendo a passagem. Pois dona Lourdes não teve dúvida e... buzinou! "Fom, fom"! Bradou a velhinha pedindo passagem, como se fosse um automóvel - provavelmente um calhambeque ou Ford bigode.
Quase caí das botas de tanto rir!
...E LOUCO É QUEM ESTÁ NO MANICÔMIO????

Não vamos deixar que a loucura, a hipocrisia e a sacanagem se espalhem! O Austregésilo, rapaz que foi internado em manicômio por conta de um baseadinho e, lá, comeu o pão que o diabo amassou, está numa tremenda fria!

Para quem não sabe ou não se lembra, ele é o cara que escreveu o livro "Canto dos Malditos", que inspirou o filme "Bicho de Sete Cabeças", de Laís Bodanzsky

Pois Austregésilo não se contentou em sofrer calado e botou a boca no trombone: escreveu o livro, se engajou no Movimento da Luta Anti-Manicomial e moveu o primeiro processo de Ação Indenizatória por erro médico-psiquiátrico na história forense brasileira.

Só que, de vítima se transformou em réu e vai ser julgado no dia 23 de maio!

Leiam a seguir o e-mail que recebi conclamando as pessoas de bem a apoiarem o moço em um manifesto que vai acontecer no próximo sábado:

Dia 17 de maio acontece às 15h na praça Benedito Calixto, em Pinheiros, São Paulo, um manifesto de apoio a Austregésilo Carrano Bueno, autor do livro "Canto dos Malditos", que originou o filme "Bicho de Sete Cabeças", de Laís Bodanzky .


"Canto dos Malditos" relata a experiência do escritor e militante do Movimento da Luta Antimanicomial – MLA, internado aos 17 anos de idade em instituições psiquiátricas do Paraná, entre 1974 e 1977. Durante os anos em que permaneceu confinado nas instituições psiquiátricas que cita no livro, Austregésilo sofreu tortura e maus tratos - o choque elétrico "terapêutico" era rotina no inferno manicomial.

A primeira edição do livro, impressa pela UFPR (Universidade Federal do Paraná), foi retirada das prateleiras curitibanas por pressão de médicos citados no livro. Os fotolitos presos na UFPR chegaram a São Paulo com a ajuda do MLA. O livro passou a ser editado pela Lemos, editora simpática ao movimento, até inspirar "Bicho de 7 cabeças" e ser lançado em 2001 pela Rocco.

Por considerar que "Canto dos Malditos" fere o "inatacável sistema psiquiátrico", a justiça condenou Austregésilo a pagar sessenta mil reais aos donos das instituições psiquiátricas citadas no livro.

Pela terceira vez será julgado em 23 de maio de 2003, às 14 horas. Desta vez está proibido de fazer uso do direito à liberdade de expressão: se mencionar os nomes das instituições ou dos médicos que o "trataram", ou se manifestar oralmente ou por escrito em qualquer meio de comunicação, terá que pagar cinco mil reais por dia aos seus algozes, ou..... prisão. (Ação n.º 839/2001, 5ª Vara Civil, Fórum de Curitiba, Paraná).


Sunday, May 11, 2003

FALHA DA FOLHA

Hoje mesmo li a coluna do ombudsman da Folha de S.Paulo e respirei aliviádíssima: o Chico Buarque NÃO assinou manifesto nenhum a favor de Cuba. É, aquele mesmo manifesto que ignora completamente a recente onda de repressão de Fidel Castro, que pos em cana mais de 70 opositores pacíficos (com penas de até 28 anos!!), além de mandar para o "paredon" outros três.

Não sou a favor do cowboy Bush fazer e acontecer no planeta como se fosse a casa da mãe Joana. Mas o Fidel está, cada vez mais, se revelando um Stalin mequetrefe, senil e tão sanguinário quanto.

Para ter uma ídéia do que foi a vida na ilha a partir dos anos 90, depois da queda do muro de Berlim, vale ler autores como Zoe Valdez e Pedro Juan Gutierrez - esse último vivendo ainda hoje corajosamente em Centro Havana, bairro dos mais barra-pesadas da cidade.

O Pedro Juan soou pra mim como uma espécie de Bukovsky latino. Suas histórias são cruas, sangrentas, lotadas de sexo, morte, sacanagem, viração e todos os artifícios que os cubanos usam pra viver e sobreviver.

Já a Zoe aproveita a linguagem das ruas - os cubanos tem um jeito de falar muito colorido, cheio de expressões maliciosas, duplos sentidos... O problema é que não gostei da tradução em português. Não sei se foi mal feita ou é porque a Zoe em português não cola. Mas o assunto é o mesmo - a vida em Cuba tornada possível graças o jogo de cintura dos Cubanos.

A seguir, nota do ombudsman Bernardo Ajzenberg sobre a falha da Folha publicada hoje no jornal:

"Será que ele e os demais signatários não querem assinar um manifesto pró-Fernandinho Beira-Mar também? O nível de criminalidade entre ele e Fidel é parecido."
Esse protesto foi enviado por um leitor a propósito da notícia publicada terça-feira de que o compositor Chico Buarque assinara um texto em defesa de Cuba lido no 1º de Maio em Havana. O manifesto repudia os EUA e se omite quanto à recente onda de repressão a dissidentes cubanos, com prisões e fuzilamentos. Surge num momento grave, em que celebridades culturais se dividem sobre o caso.
A mensagem revela como a imagem de um artista pode ser abalada por posicionamentos políticos. Mas mostra também outro fenômeno: o leitor confia no jornal, dá como fato o que ele publica. E aqui a coisa ficou encrencada, pois Chico simplesmente não tinha assinado manifesto algum em apoio a Cuba.
O quadro ao lado ilustra como o jornal tratou o episódio.
No primeiro dia (terça), dedicou-lhe uma chamada na capa ("Chico Buarque assina manifesto pró-Cuba") e um título de seis colunas em página interna ("Chico Buarque assina carta em favor de Cuba").
Ante o desmentido de um representante do artista, um pequeno texto saiu na quarta-feira, em pé de página ("Chico Buarque não defendeu Cuba, diz assessor"). Nele, sem lembrar que ela própria divulgara com destaque e títulos certeiros a "informação", a Folha escreve que "as agências internacionais informaram anteontem que Chico assinara a lista".
Finalmente, na sexta, uma carta do mesmo assessor no "Painel do Leitor" e um "Erramos" dão o desfecho, até aqui, para o episódio.
O editor de Mundo, Sérgio Malbergier, explica que a Folha usou informações de agências internacionais e constatou num site pró-Cuba que o nome de Chico estava na lista de apoio. Tentou ouvi-lo durante dois dias. No primeiro, não conseguiu. "Publicamos então que agências e site informavam que ele teria assinado a lista e que não havíamos conseguido falar com ele", afirma o jornalista.
No segundo dia, relata, o assessor negou que Chico fosse signatário do documento -o que foi publicado-, mas disse que ele não poderia se manifestar porque estaria concentrado na elaboração de um livro. "Fica aqui o convite para Chico se pronunciar sobre o assunto com mais clareza", conclui Malbergier.
Penso que o jornal cometeu no caso ao menos três equívocos.
O primeiro foi editar com tanto destaque, títulos e textos taxativos um dado grave não confirmado. A reportagem cita uma agência, mas apenas ao informar que, segundo ela, Chico teria sido um dos últimos a assinar o manifesto. Também registra que não conseguiu falar com o compositor, mas não explicita se o procurara para confirmar a informação ou para comentá-la. Títulos e textos mais cautelosos atenuariam o estrago.
O segundo equívoco foi quase "se esconder" no dia seguinte (quarta), publicando o desmentido do assessor apenas num pé de página e atribuindo toda a responsabilidade às agências internacionais, como se o jornal não tivesse bancado a notícia.
Claro que publicar uma carta de desmentido e um "Erramos", como ocorreu na sexta, é positivo. Mas é também pouco, reconhecimento insuficiente, desproporcional em relação ao barulho causado pelo destaque anterior -e foi esse o terceiro erro do jornal no episódio. Uma reportagem que procurasse esclarecer o caso ficou faltando, ao menos até o fechamento desta coluna.
Comecei com a mensagem de um leitor e encerro com a de um outro, cuja contundência -após a correção publicada- reflete a gravidade da questão:
"É simplesmente revoltante a agressão que a Folha cometeu contra o cantor Chico Buarque (...) uma acusação seriíssima em tempos de fuzilamento (...) A Folha pisoteou seu "Manual da Redação", maculou fortemente a imagem de Chico e desrespeitou qualquer princípio básico do jornalismo, da ética e do bom senso (...) O que aconteceu é imperdoável, inadmissível, inacreditável. Resumindo, é de enojar, revolta o estômago. Estragou minha manhã, meu humor, meu dia."
Não sei se Chico Buarque ainda vai ou não se manifestar sobre a repressão castrista nem o que ele pensa a respeito dela.
Mas esse e-mail -apesar de algum exagero nos adjetivos- dá o que pensar sobre a responsabilidade que o jornal tem perante seus leitores e perante os protagonistas de suas notícias.